Estou pesquisando poemas de poetas de fora de Belém (e do Pará) que façam referência a nossa "nortista gostosa". Manoel Bandeira é clássico, mas temos também menções feitas por poetas contemporâneos, como é o caso desse poema de Cacaso, expoente da poesia marginal dos anos 70, que remete à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.
JOGOS FLORAIS
Jogos Florais I
Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre
a água já não vira vinho
vira direto vinagre
Jogos Florais II
Minha terra tem palmares
memória cala-te já
Peço licença poética
Belém capital Pará
Bem, meus prezados senhores
dado o avanço da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.
(será mesmo com esses dois esses
que se escreve paçarinho?)
Cacaso, 1985
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Ópera Legitimamente Brasileira
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o maestro John Neschling anunciaram nessa quinta-feira, 12 de novembro, em São Paulo, a criação da primeira Companhia Brasileira de Ópera. Uma iniciativa do maestro John Neschling com o apoio do Ministério da Cultura, integralmente financiada com recursos do incentivo fiscal. Orçada em R$14 milhões, a Companhia levará a todas as regiões do país espetáculos de nível internacional, com elevado apuro técnico a preços populares, além de cursos de formação para atores e músicos.
Ver mais: http://www.brasil.gov.br/noticias/ultimas_noticias/3%2013.11/mysqlnoticia_view
Ver mais: http://www.brasil.gov.br/noticias/ultimas_noticias/3%2013.11/mysqlnoticia_view
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Prêmio Portugal Telecom
Nuno Ramos conquista prêmio com livro híbrido
AE - Agencia Estado
Artista plástico e escritor, Nuno Ramos foi o primeiro colocado na sétima edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura por seu livro "Ó" (Editora Iluminuras, 289 páginas, R$ 44), recebendo o prêmio no valor de R$ 100 mil. Quarto e mais radical livro de Nuno, reconhecido internacionalmente como um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, "Ó" é uma obra híbrida em que vários gêneros literários se cruzam, do ensaio à prosa poética, passando por referências autobiográficas. Traz as marcas das leituras preferidas de Nuno, do alemão W. G. Sebald (1944-2001) ao austríaco Thomas Bernhard (1931-1989), passando pela filosofia do francês Montaigne (1533-1592) e do norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882).
O segundo lugar ficou com João Gilberto Noll por "Acenos e Afagos" (Record) e o terceiro prêmio com Lourenço Mutarelli, por "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa" (Companhia das Letras). Eles receberam, respectivamente, R$ 35 mil e R$ 15 mil. As dez obras finalistas foram selecionadas por 11 jurados e quatro curadores. Foram classificados, além dos mencionados, os livros "Cinemateca", de Eucanaã Ferraz, "Heranças", de Silviano Santiago, "O Livro dos Nomes", de Maria Esther Maciel, e quatro livros de escritores portugueses: "Ontem Não Te Vi em Babilônia", de António Lobo Antunes, "Aprender a Rezar na Era da Técnica", de Gonçalo M. Tavares, "Cemitério de Pianos", de José Luis Peixoto, e "A Eternidade e o Desejo", de Inês Pedrosa. Nuno Ramos, após receber o prêmio por "Ó", anunciou para 2010 um livro de poesia.
Na análise da curadora do Prêmio Portugal Telecom, Selma Caetano, a escolha de autores como Nuno Ramos, João Gilberto Noll e Lourenço Mutarelli revela que os jurados optaram por premiar "escritores que reinventam a literatura brasileira de língua portuguesa". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Na análise da curadora do Prêmio Portugal Telecom, Selma Caetano, a escolha de autores como Nuno Ramos, João Gilberto Noll e Lourenço Mutarelli revela que os jurados optaram por premiar "escritores que reinventam a literatura brasileira de língua portuguesa". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Eucanaã Ferraz
O equilibrista
Traz consigo resguardada
certa idéia que lhe soa
clara, exata.
No entanto, hesita: que palavra
a mais bem medida e cortada
para dizê-la?
Enquanto não lhe vem o verso, a frase, a fala,
segue lacrada a caixa
no alto da cabeça.
in Rua do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
in Rua do mundo. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2007.
Lugarejo
O trem muge o longe.
Os vagões levam toneladas de horas
e astros enferrujados.
Bicho de ferro atravessando
a facão o lombo do dia, enchendo
de metálica melodia a vida
dos homens dali.
in Livro primeiro. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1990.
A palma da tua mão não tem segredo...
A palma da tua
mão não tem segredo
algum. Letra em tua mão
é de nome nenhum.
Não há mistério nem mensagem
no lenho aleatório.
Tua mão tem destino noutras palmas.
Confidência, piedade, ira. Deixa que,
aberta, distribua-se ao ponto – à perfeição –
de não ser mais tua mão: pátio,
pouso necessário de quem jamais te viu.
in Dessassombro. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2001.
in Dessassombro. Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 2002.
Ver mais: http://www.eucanaaferraz.com.br/
Traz consigo resguardada
certa idéia que lhe soa
clara, exata.
No entanto, hesita: que palavra
a mais bem medida e cortada
para dizê-la?
Enquanto não lhe vem o verso, a frase, a fala,
segue lacrada a caixa
no alto da cabeça.
in Rua do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
in Rua do mundo. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2007.
Lugarejo
O trem muge o longe.
Os vagões levam toneladas de horas
e astros enferrujados.
Bicho de ferro atravessando
a facão o lombo do dia, enchendo
de metálica melodia a vida
dos homens dali.
in Livro primeiro. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1990.
A palma da tua mão não tem segredo...
A palma da tua
mão não tem segredo
algum. Letra em tua mão
é de nome nenhum.
Não há mistério nem mensagem
no lenho aleatório.
Tua mão tem destino noutras palmas.
Confidência, piedade, ira. Deixa que,
aberta, distribua-se ao ponto – à perfeição –
de não ser mais tua mão: pátio,
pouso necessário de quem jamais te viu.
in Dessassombro. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2001.
in Dessassombro. Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 2002.
Ver mais: http://www.eucanaaferraz.com.br/
Prêmio Portugal Telecom anuncia vencedores nesta terça-feira
Nesta terça-feira (10), em São Paulo, serão anunciados os três vencedores da 7ª edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. São dez finalistas (seis brasileiros e quatro portugueses).
O primeiro colocado vai receber R$ 100 mil, enquanto o segundo leva R$ 35 mil e o terceiro, R$ 15 mil. A seleção foi feita por 11 jurados e quatro curadores. Eles também elegeram o júri final, formado por seis integrantes: Antonio Carlos Secchin, Beatriz Resende, Benjamin Abdala Júnior, Leyla Perrone-Moisés, Regina Ziberman e Sérgio Sá.
Confira as obras finalistas do concurso.
Brasileiros
"A Arte de Produzir Efeito sem Causa"
Autor: Lourenço Mutarelli
Editora: Companhia das Letras
Gênero: romance
"Acenos e Afagos"
Autor: João Gilberto Noll
Editora: Record
Gênero: romance
"Cinemateca"
Autor: Eucanaã Ferraz
Editora: Companhia das Letras
Gênero: poesia
"Ó"
Autor: Nuno Ramos
Editora: Iluminuras
Gênero: conto
"O Livro dos Nomes"
Autor: Maria Esther Maciel
Editora: Companhia das Letras
Gênero: romance
"Heranças"
Autor: Silviano Santiago
Editora: Rocco
Gênero: romance
Portugueses
"A Eternidade e o Desejo"
Autor: Inês Pedrosa
Editora: Alfaguara - Objetiva
Gênero: romance
"Aprender a Rezar na Era da Técnica"
Autor: Gonçalo M. Tavares
Editora: Companhia das Letras
Gênero: romance
"Cemitério de Pianos"
Autor: José Luís Peixoto
Editora:Record
Gênero: romance
"Ontem Não te Vi em Babilônia"
Autor: António Lobo Antunes
Editora: Alfaguara - Objetiva
Gênero: romance
http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2009/11/09/ult4738u29658.jhtm
O primeiro colocado vai receber R$ 100 mil, enquanto o segundo leva R$ 35 mil e o terceiro, R$ 15 mil. A seleção foi feita por 11 jurados e quatro curadores. Eles também elegeram o júri final, formado por seis integrantes: Antonio Carlos Secchin, Beatriz Resende, Benjamin Abdala Júnior, Leyla Perrone-Moisés, Regina Ziberman e Sérgio Sá.
Confira as obras finalistas do concurso.
Brasileiros
"A Arte de Produzir Efeito sem Causa"
Autor: Lourenço Mutarelli
Editora: Companhia das Letras
Gênero: romance
"Acenos e Afagos"
Autor: João Gilberto Noll
Editora: Record
Gênero: romance
"Cinemateca"
Autor: Eucanaã Ferraz
Editora: Companhia das Letras
Gênero: poesia
"Ó"
Autor: Nuno Ramos
Editora: Iluminuras
Gênero: conto
"O Livro dos Nomes"
Autor: Maria Esther Maciel
Editora: Companhia das Letras
Gênero: romance
"Heranças"
Autor: Silviano Santiago
Editora: Rocco
Gênero: romance
Portugueses
"A Eternidade e o Desejo"
Autor: Inês Pedrosa
Editora: Alfaguara - Objetiva
Gênero: romance
"Aprender a Rezar na Era da Técnica"
Autor: Gonçalo M. Tavares
Editora: Companhia das Letras
Gênero: romance
"Cemitério de Pianos"
Autor: José Luís Peixoto
Editora:Record
Gênero: romance
"Ontem Não te Vi em Babilônia"
Autor: António Lobo Antunes
Editora: Alfaguara - Objetiva
Gênero: romance
http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2009/11/09/ult4738u29658.jhtm
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
FUNARTE e a Bolsa de Criação Literária 2009
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) divulgou a lista dos 10 autores contemplados com a Bolsa de Criação Literária 2009. Cada um deles receberá prêmio no valor de R$ 30 mil. Por meio desta iniciativa, a Fundação impulsiona a produção de textos literários inéditos, oferecendo a escritores de todo o país condições materiais para que possam desenvolver seus trabalhos.
Nesta terceira edição do programa, foram recebidos 1.046 projetos. A análise do material coube a uma comissão externa, composta por cinco membros de notório saber na área literária: Ângela Dionísio Paiva, Márcio Araújo de Melo, Regina Lúcia Péret Dell'Isola, Álvaro Costa e Silva Filho e Elga Ivone Perez Laborde Leite. Durante o processo seletivo, foram julgadas a originalidade do projeto, a qualidade da proposta e a metodologia do trabalho.
Em breve será anunciada uma relação de contemplados suplentes, beneficiados por um aporte extra de recursos que o Ministério da Cultura destinará à Fundação.
Os contemplados da região norte foram Edgar Jesus Figueira Borges, com o projeto Sem grandes problemas e Isadora Octavia Frederica Augusta Avertano Rocha, com Invasão pret-à-porter.
O Edgar Borges é jornalista, cronista, com aspirações de ser poeta. Radicado em Boa Vista - Roraima.
"Ganhar um prêmio, independente de qual fosse o valor, era uma das minhas metas para este ano. Depois de algumas participações sem êxito em festivais de música, concursos de poesia e de provimento de vagas (em busca de um salário maior), a bolsa da Funarte reergue meu orgulho índio e me estimula a continuar escrevendo micronarrativas (ou microcontos, outro nome que se dá à mesma levada literária que apresentei como proposta ao pessoal de Brasília)." (Ver mais em http://edgarb.blogspot.com/)
Já a paraense Isadora é advogada e neta de Avertano Rocha, ex-presidente da Academia Paraense de Letras e filha do também acadêmico Octavio Avertano Rocha, ocupante da cadeira nº 37 daquela instituição.
Nesta terceira edição do programa, foram recebidos 1.046 projetos. A análise do material coube a uma comissão externa, composta por cinco membros de notório saber na área literária: Ângela Dionísio Paiva, Márcio Araújo de Melo, Regina Lúcia Péret Dell'Isola, Álvaro Costa e Silva Filho e Elga Ivone Perez Laborde Leite. Durante o processo seletivo, foram julgadas a originalidade do projeto, a qualidade da proposta e a metodologia do trabalho.
Em breve será anunciada uma relação de contemplados suplentes, beneficiados por um aporte extra de recursos que o Ministério da Cultura destinará à Fundação.
Os contemplados da região norte foram Edgar Jesus Figueira Borges, com o projeto Sem grandes problemas e Isadora Octavia Frederica Augusta Avertano Rocha, com Invasão pret-à-porter.
O Edgar Borges é jornalista, cronista, com aspirações de ser poeta. Radicado em Boa Vista - Roraima.
"Ganhar um prêmio, independente de qual fosse o valor, era uma das minhas metas para este ano. Depois de algumas participações sem êxito em festivais de música, concursos de poesia e de provimento de vagas (em busca de um salário maior), a bolsa da Funarte reergue meu orgulho índio e me estimula a continuar escrevendo micronarrativas (ou microcontos, outro nome que se dá à mesma levada literária que apresentei como proposta ao pessoal de Brasília)." (Ver mais em http://edgarb.blogspot.com/)
Já a paraense Isadora é advogada e neta de Avertano Rocha, ex-presidente da Academia Paraense de Letras e filha do também acadêmico Octavio Avertano Rocha, ocupante da cadeira nº 37 daquela instituição.
domingo, 18 de outubro de 2009
Abílio Pacheco - Riscos no barro: ensaios literários
Recebi, e quero compartilhar com os amigos da Confraria, o e-mail do escritor Abílio Pacheco que fala sobre premiação recebida em concurso nacional e do lançamento do seu próximo livro Riscos no barro: ensaios literários.
Parabéns ao Abílio por mais essas vitórias e peço licença para publicar aqui o seu poema premiado Escrituras.
"Boa noite,
Mais uma vez venho compartilhar com você uma alegria em literatura.
A Editora Litteris enviou-me correspondência informando que meu poema "Escritura" foi classificado em segundo lugar nacional no no Concurso Literário Brasil Poeta.
O primeiro lugar ficou com Fabiana Guaranho (do Rio de Janeiro) e o terceiro lugar com Fernando de Castro Dutra (de Águas Claras - DF).
O poema pode ser lido em http://mosaicoprimevo.wordpress.com/2009/01/22/escritura/ e a correspondência enviada pode vista em: http://abiliopacheco.wordpress.com/files/2009/10/litteris-concurso.jpg.
Aproveito o ensejo para comunicar que estou com um novo trabalho no prelo (capa em anexo), com lançamentos previstos:
* na Jornada de Letras em Abaetetuba (dia 03 de novembro); * na XIII Feira PanAmazônica do Livro (11 de novembro às 19:00 no stand do escritor paraense); * e na XI Feira do Livro em Marabá (de 26 a 28 de novembro).
Trata-se de um livro de ensaios destinado principalmente a alunos de graduação em Letras e tem textos resultados de pesquisa de Iniciação Científica e outros escritos durante o Mestrado em Estudos Literários.
O livro se chama Riscos no barro: ensaios literários que versam sobre: *autor, *narrador, *narratário, *sobre o romance 'O Minossauro', do paraense Benedicto Monteiro, *sobre 'Lucíola', de José de Alencar, e *3 ensaios sobre Chico Buarque (o mais importante: À urbes buarqueanas: das cidades utópicas à distopia singular).
O livro no(s) lançamento(s) custará na feira R$ 25,00.
Interessados em adquirir um exemplar na pré-venda (R$ 20,00) devem enviar email para riscosnobarro@bol.com.br e solicitar informações.
Saudações Literárias,
Abilio Pacheco
www.abiliopacheco.com.br"
Escritura
A Eliton Moreira e Ademir Braz
Tecer versos é, por força, fazer sulcos em penedos,
Singrar as pedras todas do mar de si ao avesso,
Derramar suores em gotas no fero vigor do remo.
É ferir, à quilha da fragata, as artérias espumosas
Das altas internas vagas. É navegar por entre as rochas
E extrair exangues lascas — vergões por dentro e por fora.
É talhar a cerrados pulsos as pedras finas, mas duras.
E lapidar relevos pulcros em fendas pouco profundas.
É um árduo trabalho infruto, que só lega palmas sujas.
Mas é preciso fazê-lo! Alguém deve abrir as ostras
Abismadas em seu peito para juntá-las a outras
Iguais na casca e no meio, mesmo que estejam ocas.
Por fim: crer que vale a pena mineralizar as lavras
Como fulcros ao poema e inertes todas deixá-las
Inativas pelas fendas — palavras amortalhadas.
Para que tu, só tu possas sugar o cerne dos versos
Acumulados em poças pelos teus olhares tétricos
Que desmineram as horas e se desmentem eternos.
In: Pacheco, Abilio. Mosaico Primevo. Belém: Ed. do autor, 2008, pág. 15.
sábado, 17 de outubro de 2009
Os 50 autores mais influentes do século XX e o que aprendemos (ou devíamos ter aprendido) com eles
Ernest Hemingway
Gabriel Garcia Marques
James Joyce
Carl Segan
Italo Calvino
Franz Kafka
Salman Rushdie
Jorge Luis Borges
Pablo Neruda
J. K. Rowling
...
Veja a lista completa elaborada por José Mário Silva em http://sapoblogs.do.sapo.pt/ler/autoresinfluentes.pdf
Gabriel Garcia Marques
James Joyce
Carl Segan
Italo Calvino
Franz Kafka
Salman Rushdie
Jorge Luis Borges
Pablo Neruda
J. K. Rowling
...
Veja a lista completa elaborada por José Mário Silva em http://sapoblogs.do.sapo.pt/ler/autoresinfluentes.pdf
Arménio Vieira
O poeta Arménio Vieira recebeu em junho deste ano o Prêmio Camões, prêmio criado em 1988 pelos governos português e brasileiro e que distingue todos os anos escritores dos países lusófonos.
Vamos conhecê-lo um pouquinho mais...
Arménio Vieira – liberdade e coerência na poesia do poeta-gato cabo-verdiano
.........................
Vieira nasceu na Praia, ilha de Santiago, em 29/01/1941. Foi integrante da geração dos anos 1960 da poesia cabo-verdiana. Geração marcada por uma poesia de revolta e combate ao governo colonial português, à época sob a ditadura salazarista, tendo participado do histórico suplemento “Seló” (1962). Pelo seu envolvimento com a luta de libertação da nação cabo-verdiana amargou dois anos de enclausuramento nas cadeias da PIDE, a polícia política portuguesa. Talvez por isso a opção por um sujeito lírico transfigurado em “touro onírico”, irônico, extremamente irreverente e libertário como era o desejo em ver sua pátria independente, indignado com os desvios éticos de seus contemporâneos: “e lá no alto, rente ao tecto / fazer chichi na presunção / de tantas bestas juntas / santos beatos e jumentos” (Poemas, p. 37).
............................
Texto extraído de: http://www.africaeafricanidades.com/documentos/Armenio_Vieira.pdf
Quiproquó
Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto
Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta
Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.
Fábula de Esopo
Um touro, ignorante de cabeça,
mas rijo de couro e carcaça,
quis ser elefante
Engoliu vento, inflou...
e já feito imenso balão
(de meter medo à selva e ao leão)
deu um estouro e tombou
Um elefante, por ali vagabundo,
esfregou os olhos, descrendo,
e foi acordar em cima dum ouriço-cacheiro
Uma rã pulou à loja, defronte,
e coaxou ao caixeiro:
– Faça favor de me vender um foguete!
CANTO FINAL OU AGONIA DUMA NOITE INFECUNDA
.
Como a flor cortada rente e desfolhada
ou os olhos vazados da criança
e o seu fio de pranto tênue e impotente
assim a noite caminha com os astros todos em vertigem
até que se atinge o ponto da mudez
a pesada mó triturando a sílaba
a garganta com as cordas dilaceradas
e uma lâmina ácida e pontiaguda enterrada ao nível da carótida
ou os olhos vazados da criança
e o seu fio de pranto tênue e impotente
assim a noite caminha com os astros todos em vertigem
até que se atinge o ponto da mudez
a pesada mó triturando a sílaba
a garganta com as cordas dilaceradas
e uma lâmina ácida e pontiaguda enterrada ao nível da carótida
Entenda-se isto como noite e o seu transe derradeiro
tanto assim que a flor desfeita
não embala o coração do poeta
oh não
porque a flor defunta
se voa
não sobe nunca
e só dura
o espaço breve duma nota
tanto assim que a flor desfeita
não embala o coração do poeta
oh não
porque a flor defunta
se voa
não sobe nunca
e só dura
o espaço breve duma nota
Assim o canto se detém imóvel
como se da flauta
falhando súbito
na boca do poeta
ficasse o hiato
ou a saliva
de um tempo devassado por insectos cor de cinza
como se da flauta
falhando súbito
na boca do poeta
ficasse o hiato
ou a saliva
de um tempo devassado por insectos cor de cinza
A voz suspensa e negada
cede a vez à letra amorfa
inscrita no silêncio
com seu peso
de chumbo e olvido
acaba o poema
e um ponto final selando tudo.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Rudyard Kipling - Se
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar -sem que a isso só te atires,
De sonhar -sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais -tu serás um homem, ó meu filho!
If
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;
If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings -nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And -which is more- you'll be a Man, my son!
Tradução de Guilherme de Almeida
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar -sem que a isso só te atires,
De sonhar -sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais -tu serás um homem, ó meu filho!
If
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;
If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings -nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And -which is more- you'll be a Man, my son!
domingo, 6 de setembro de 2009
Frei Betto e a Rebimboca da beribelinha
..............
Rebimboca da beribelinha é a capacidade de falar sem dizer nada; prometer sem cumprir; governar sem administrar; sorrir sem estar alegre; enfim, roubar o porco e, surpreendido, sair gritando de olho no ombro: "Tira esse bicho daí! Tira esse bicho daí!"
Hoje em dia a rebimboca da beribelinha faz muito sucesso na TV. Tanto que mantém hipnotizada, dia a dia, durante horas, milhões de telespectadores que, além de umas tantas informações dos telejornais, nenhum proveito tiram para ampliar sua cultura, tornar mais crítica sua consciência ou aprofundar sua vida espiritual.
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Texto completo AQUI
Rebimboca da beribelinha é a capacidade de falar sem dizer nada; prometer sem cumprir; governar sem administrar; sorrir sem estar alegre; enfim, roubar o porco e, surpreendido, sair gritando de olho no ombro: "Tira esse bicho daí! Tira esse bicho daí!"
Hoje em dia a rebimboca da beribelinha faz muito sucesso na TV. Tanto que mantém hipnotizada, dia a dia, durante horas, milhões de telespectadores que, além de umas tantas informações dos telejornais, nenhum proveito tiram para ampliar sua cultura, tornar mais crítica sua consciência ou aprofundar sua vida espiritual.
................
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Eduardo Galeano - O livro dos abraços
A dignidade da arte
Eu escrevo para os que não podem me ler. Os de baixo, os que esperam há séculos na fila da história, não sabem ler ou não tem com o quê.
Quando chega o desânimo, me faz bem recordar uma lição de dignidade da arte que recebi há anos, num teatro de Assis, na Itália. Helena e eu tínhamos ido ver um espetáculo de pantomima, e não havia ninguém. Ela e eu éramos os únicos espectadores. Quando a luz se apagou, juntaram-se a nós o lanterninha e a mulher da bilheteria. E, no entanto, os atores, mais numerosos que o público, trabalharam naquela noite como se estivessem vivendo a glória de uma estréia com lotação esgotada. Fizeram sua tarefa entregando-se inteiros, com tudo, com alma e vida; e foi uma maravilha.
Nossos aplausos ressoaram na solidão da sala. Nós aplaudimos até esfolar as mãos.
A função da arte/1
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia,
depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano em O livro dos abraços
II Prêmio Literário Canon de Poesia 2009
O concurso cultural denominado II Prêmio Literário Canon de Poesia 2009 é promovido pela Canon do Brasil Ind. e Com. Ltda, pessoa jurídica estabelecida na cidade de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o nº 046.266.771/0001-26, pela Fábrica de Livros e pelo Grupo Editorial Scortecci, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes no Brasil. Conta com o apoio institucional do Portal Amigos do Livro.
Tem por objetivo descobrir novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no Brasil. Este concurso é exclusivamente de cunho cultural, sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos concorrentes, estando aberto à participação de todos que assim o desejarem, sendo promovido pela empresa de acordo com a Lei n. 5768/71 e Decreto 70.951/72.
INSCRIÇÕES:
Inscrições: Até 15 de setembro de 2009 e deverão ser feitas somente pela Internet através do Portal Concursos e Prêmios Literários. AQUI.
Relação dos Inscritos: AQUI
Não há necessidade da poesia ser INÉDITA.
Ver mais
Tem por objetivo descobrir novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no Brasil. Este concurso é exclusivamente de cunho cultural, sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos concorrentes, estando aberto à participação de todos que assim o desejarem, sendo promovido pela empresa de acordo com a Lei n. 5768/71 e Decreto 70.951/72.
INSCRIÇÕES:
Inscrições: Até 15 de setembro de 2009 e deverão ser feitas somente pela Internet através do Portal Concursos e Prêmios Literários. AQUI.
Relação dos Inscritos: AQUI
Não há necessidade da poesia ser INÉDITA.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Poemas sobre a fé - Constâncio Negaro
Estive lendo a Cronópios e de lá retirei estes poemas. São versos sobre a fé, a fé que transpassa o sentido da religiosidade rasa e se aprofunda em questões humanas, desejos reprimidos, amor carnal, dúvidas...
Leiam!
Fé
intróito
jaculatória
ladainha
secreta
súplica
encaixe...
Deus!
falamos mesmo do sacro
ou a fé não passa de uma metáfora?
Sons
sexta-feira
é dia de coral
eu nos sons que vêm da rua
mas a musicalidade
que sai de minha boca é sacra
e mistura-se ao hálito de homens
que se acreditam anjos
Anjos
à noite
cada um entra em sua cela
túmulo de gestos obscenos e ejaculações noturnas
cedo
junto ao ar morno do sexo reprimido que vaza pelas frestas
das portas
anjos saem soerguidos como os amantes de um quarto
de motel
e atravessam o longo e frio corredor com trajes negros
e femininos – cruz no peito
seguem na direção do confessionário
Ângelus
ao amanhecer
: ângelus
ao meio-dia
: ângelus
ao anoitecer
: ângelus
na madrugada
os corpos pedem o pecado
: Marias, Marias, Marias...
: Josés, Josés, Josés...
Animal
para fazer respeitar o celibato
há de se castrar a alma, não o falo
e se não há alma
não passaremos de animais selvagens
a gozar o mundo
como o mundo deve ser gozado...
livre de qualquer Deus
............................
Constâncio Negaro, 58 anos, natural do agreste, atualmente vivendo em São Paulo, admirador dos milagres de padre Cícero, saiu de sua terra, como muitos jovens para estudar em colégio religioso.
E-mail: constancio.negaro@gmail.com
Ver mais..... http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4163
Leiam!
Fé
intróito
jaculatória
ladainha
secreta
súplica
encaixe...
Deus!
falamos mesmo do sacro
ou a fé não passa de uma metáfora?
Sons
sexta-feira
é dia de coral
eu nos sons que vêm da rua
mas a musicalidade
que sai de minha boca é sacra
e mistura-se ao hálito de homens
que se acreditam anjos
Anjos
à noite
cada um entra em sua cela
túmulo de gestos obscenos e ejaculações noturnas
cedo
junto ao ar morno do sexo reprimido que vaza pelas frestas
das portas
anjos saem soerguidos como os amantes de um quarto
de motel
e atravessam o longo e frio corredor com trajes negros
e femininos – cruz no peito
seguem na direção do confessionário
Ângelus
ao amanhecer
: ângelus
ao meio-dia
: ângelus
ao anoitecer
: ângelus
na madrugada
os corpos pedem o pecado
: Marias, Marias, Marias...
: Josés, Josés, Josés...
Animal
para fazer respeitar o celibato
há de se castrar a alma, não o falo
e se não há alma
não passaremos de animais selvagens
a gozar o mundo
como o mundo deve ser gozado...
livre de qualquer Deus
............................
Constâncio Negaro, 58 anos, natural do agreste, atualmente vivendo em São Paulo, admirador dos milagres de padre Cícero, saiu de sua terra, como muitos jovens para estudar em colégio religioso.
E-mail: constancio.negaro@gmail.com
Ver mais..... http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4163
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
À OPINIÃO PÚBLICA
Lúcio Flávio Pinto *
Adital -
Em solenidade na qual comemorou seus 30 anos de fundação, na semana passada, em Brasília, a Associação Nacional de Jornais apresentou uma relação com 31 casos de censura à imprensa praticados nos últimos 12 meses no Brasil, sendo 16 decorrentes de decisão judicial. O levantamento podia ser considerado completo ou, pelo menos, satisfatório, se não tivesse omitido a censura judicial imposta ao "Jornal Pessoal", quinzenário que edito em Belém do Pará há 22 anos, pelo juiz da 4ª vara cível do fórum de Belém, Raimundo das Chagas Filho, no dia 6 de julho.
Ver texto completo ----> http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=40705
Adital -
Em solenidade na qual comemorou seus 30 anos de fundação, na semana passada, em Brasília, a Associação Nacional de Jornais apresentou uma relação com 31 casos de censura à imprensa praticados nos últimos 12 meses no Brasil, sendo 16 decorrentes de decisão judicial. O levantamento podia ser considerado completo ou, pelo menos, satisfatório, se não tivesse omitido a censura judicial imposta ao "Jornal Pessoal", quinzenário que edito em Belém do Pará há 22 anos, pelo juiz da 4ª vara cível do fórum de Belém, Raimundo das Chagas Filho, no dia 6 de julho.
Ver texto completo ----> http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=40705
Tratado acerca das flores
A Confraria d'A Cova dos Poetas comemora no próximo ano dez anos de existência. Dois mil e dez - 2000 e 10 - dois números cabalísticos. Essa Confraria, fundada oficialmente em 2000, a partir do lançamento do seu 1º livro - A cova dos poetas -, surgiu com a ideia de dar vazão a uma produção literária engavetada por anos, de pessoas comuns, obscuras até: funcionários, operários, engenheiros, odontólogos, atendentes, agrônomos... A cada novo lançamento, novos autores a ter seus quinze minutos de fama. E o que é mais importante: uma produção literária vindo à tona, boiando e sobrevivendo num rio imenso - Pará - de turbulências e profundidade enormes, onde quem não dá pé e não tem pique pra nadar e nadar acaba se afogando. E quem não se afogou, gostou, ficou e tá aí até hoje, comemorando conosco o lançamento do quinto livro - Tratado acerca das flores - o terceiro de poesia. São seis autores, três confrades reminiscentes (Alberto Abadessa, João Bosco e Ney Cohen) e três confrades convidados (Adina Bezerra, Walcyr Monteiro e Heliana Barriga), e aproximadamente 70 poemas, que poderão ser lidos em outubro (previsão não otimista).
Estamos todos convidados. Então, vamos brindar!
CIO
Adina Bezerra
Acordo inquieta na madrugada
Não compreendo o que quero
Sinto meu corpo incendiar
Parecem chamas do inferno
Na intensidade do calor
Um forte cheiro exala
Oriundo de minhas entranhas
Percebo-me devassa
Sinto-me uma leoa no cio
Querendo sua presa alcançar
No encanto - magia de bicho
Em verde mata a decantar.
A TINTURARIA FICA EM FRENTE À CASA
Alberto Abadessa
Pobre é o pé - a planta racha à fome e à fé Heliana Barriga
A palma e pobre e aclama forte
À contramão jurando sobre
Pobre cobre o corpo
O papelão
Pobre é a pá
Asa abortada
Fechada ao elevador
Rodoviária porto metrô coreto praça
A rua é minha casa
Minha extensão e graça!
Pobre é o pênis
A derramar pobres meninos
Perdidos podres prostrados
Pobre é o pensar
De poucos
À progressão
De pobrestação.
Eu sou o quinto cavaleiro do apocalipse
Vago sob a quinta lua em eterno eclipse
Na quinta estação do ano hiberno.
E sonhos me revelam segredos dos céus e inferno.
Sou eu o quinto dos elementos naturais
O ideal ponto quinto dos cardeais
Detrás da quinta lua de Júpiter assisto
O conflito cósmico entre Io e Calisto.
Eu sou o quinto ícone animal do oriente
Com asas de fogo, o quinto ser vivente
O humano quinto erro nitzscheniano
Fardo humano, demasiado humano
Sou eu o quinto santo evangelista
A quinta-essência niilista
Sobre a quinta letra do deus morto blasfema
O verso quinto, a quinta estância desse poema.
A tinturaria fica em frente à casa
Às 19 horas uma bela mulher
Fica despida, seio ereto
Olhos virtuosos
Lábios carnudos
Vê em frente à tinturaria e a
Delícia dos meus olhos
Tento telefonar, não telefono.
Tento gritar de um sexo
Desesperado
Não grito
Sou um covarde
Não resta a menor dúvida do
Covarde, o que faço?
Líquido, som,
A insensatez de dormir
Esperando
A tinturaria fechar
Na noite seguinte...
Pobre é o pé - a planta racha à fome e à fé Heliana Barriga
A palma e pobre e aclama forte
À contramão jurando sobre
Pobre cobre o corpo
O papelão
Pobre é a pá
Asa abortada
Fechada ao elevador
Rodoviária porto metrô coreto praça
A rua é minha casa
Minha extensão e graça!
Pobre é o pênis
A derramar pobres meninos
Perdidos podres prostrados
Pobre é o pensar
De poucos
À progressão
De pobrestação.
O QUINTO LADO DO QUADRADO
Ney Cohen
Eu sou o quinto cavaleiro do apocalipse
Vago sob a quinta lua em eterno eclipse
Na quinta estação do ano hiberno.
E sonhos me revelam segredos dos céus e inferno.
Sou eu o quinto dos elementos naturais
O ideal ponto quinto dos cardeais
Detrás da quinta lua de Júpiter assisto
O conflito cósmico entre Io e Calisto.
Eu sou o quinto ícone animal do oriente
Com asas de fogo, o quinto ser vivente
O humano quinto erro nitzscheniano
Fardo humano, demasiado humano
Sou eu o quinto santo evangelista
A quinta-essência niilista
Sobre a quinta letra do deus morto blasfema
O verso quinto, a quinta estância desse poema.
Origem, voltar-me
numa mulher
adolesceu desconhecido
adolescente na beleza
na mulher
adolescente na beleza
da mulher que amava
sorria
de esperança
de indiferença
Encantado, não vacilou
mergulhou
até esvaziar a enchente
plenitude
o amor
Abandonado, não arriscou
não desejou
esvaziou o que era plenitude
não era
o amor
João Bosco
Foi criançanuma mulher
adolesceu desconhecido
adolescente na beleza
na mulher
adolescente na beleza
da mulher que amava
sorria
de esperança
de indiferença
Encantado, não vacilou
mergulhou
até esvaziar a enchente
plenitude
o amor
Abandonado, não arriscou
não desejou
esvaziou o que era plenitude
não era
o amor
NO RIO DE MEUS AMORES
Walcyr Monteiro
Maria caiu
No rio de meus amores
Nada, Maria, nada!
Maria afogou
No rio de meus amores
Nada, Maria, nada!
Maria saiu
Do rio de meus amores
Viva, Maria, viva!
Que aconteceu
No rio de meus amores?
Tudo, Maria, tudo
Nada, Maria, nada
No rio de meus amores
Maria foi quase tudo
Maria foi quase nada
O que ficou
No rio de meus amores?
Tudo, Maria, tudo
Nada, Maria, nada!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Solidariedade a Lúcio Flávio Pinto
Fui lá. Vocês ainda não foram? Pois então vão!
E assinem o manifesto de solidariedade ao jornalista Lúcio Flávio Pinto.
Os magnatas da imprensa brasileira fazem muito mal ao país com seus chefes de redação fantoches, com suas quintandas de toma-lá-dá-cá, com seus lobbies para acabar com a profissão de jornalista e contratar puxa-sacos e com a compra de políticos e juízes para atuarem como tratores sobre aqueles que ousam desmascará-los.
Ao bom jornalista temos obrigação de prestar nossa solidariedade. Prestamos e recebemos, com orgulho, a seguinte resposta do Lúcio, que tomo a liberdade de publicar aqui:
E assinem o manifesto de solidariedade ao jornalista Lúcio Flávio Pinto.
Os magnatas da imprensa brasileira fazem muito mal ao país com seus chefes de redação fantoches, com suas quintandas de toma-lá-dá-cá, com seus lobbies para acabar com a profissão de jornalista e contratar puxa-sacos e com a compra de políticos e juízes para atuarem como tratores sobre aqueles que ousam desmascará-los.
Ao bom jornalista temos obrigação de prestar nossa solidariedade. Prestamos e recebemos, com orgulho, a seguinte resposta do Lúcio, que tomo a liberdade de publicar aqui:
Caro amigo
Nada existe de mais subversivo do que a poesia. Logo que chegam ao poder os ditadores tratam logo de mandar prender os poetas. Depois, os jornalistas. Poesia e jornalismo juntos significa vida. A vida que se vive arriscando-se, desafiando os ditadores. Os que assumem o poder político ou os que querem controlar as mentes e os destinos. Viajo na insubmissão da poesia com a sua ajuda e solidariedade. Muito obrigado.
Grande abraço, Lúcio Flávio Pinto
Aproveitem e leiam o excelente artigo Os Ditadores e os Poetas, no Jornal Pessoal, de 1º de junho de 2009.
E pra não dizer que não falei de flores, vamos ouvir Drummond:

Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Mario Benedetti - Por que cantamos

A minha solidariedade a esse amigo que não conheço, Lúcio Flávio Pinto, vai em forma de um poema de um outro amigo, Mario Benedetti, que também não conheci, falecido recentemente. (Yo tengo tantos hermanos/Que no los puedo contar - Atahualpa Yupanqui)
Por que cantamos
Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel
você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha
você perguntará por que cantamos
se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram as árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro
você perguntará por que cantamos
cantamos porque o rio esta soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino
cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos
cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota
cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta
cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas.
Por que cantamos
Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel
você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha
você perguntará por que cantamos
se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram as árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro
você perguntará por que cantamos
cantamos porque o rio esta soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino
cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos
cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota
cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta
cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas.
Mario Benedetti
Poema extraído do site : http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=10056
Poema extraído do site : http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=10056
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