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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dia Nacional do Trovador - 18 de julho


Por falar em trovador no seu Dia Nacional, trovas líricas e humorísticas de Juraci Siqueira, que no dizer do saudoso Alonso Rocha é "simples e cordial, Totó, o filho do boto, sempre esbanjando técnica, talento e criatividade" (na foto, com os confrades da Cova dos Poetas em dia de lançamento de livro).

Minha saudade se expande
nesta cidade, porque
em qualquer lugar que eu ande,
tudo me lembra você!...

Teus olhos, da cor da noite,
insinuantes, fatais,
são pontas de um negro açoite
no lombo nu dos meus ais!

Dona de um fascínio farto,
a lua tanto passeia
pelo céu, de quarto em quarto,
que acaba ficando "cheia".

A garota, feito loba,
exclama, muito ofendida:
Se ele chama isso "mão boba",
imagina a "mão sabida"!...


Esse o Juraci, caboclo de Cajary, município de Afuá do nosso amado Estado do Pará, diretamente de "Alma em Pedaços - Sonetos e Trovas", 2ª edição, 2004.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Poeta Jack Agüeros e o mal de Alzheimer

Vejam o vídeo produzido pelo New York Times com Jack Agüeros, "poeta nova-iorquino que sofre do mal de Alzheimer, perdeu a capacidade de ler e escrever, mas ainda tem momentos de lucidez"... e ternura.

http://video.msn.com/?vid=fcd253e8-27df-6d50-08d1-83dd00e1bb0d&mkt=pt-br&src=FLPl:share:permalink:uuids

Salmo pelas mulheres



Senhor,
obrigado por teres feito as mulheres.
Obrigado por me teres dado olhos
para as olhar, nariz para as cheirar,
dedos para folhear lentamente as suas páginas,
língua para as saborear,
doces momentos para enlearmos os nossos pêlos encaracolados.

Obrigado por as teres feito
como o melhor dos géneros,
por as teres dotado com uma inteligência
que eu nunca compreendi.

E, Senhor, escuta,
pessoalmente eu não acredito no pecado,
mas por favor perdoa-me
se alguma vez fiz mal a uma mulher.

Jack Agüeros

Poema extraído de
http://arspoetica-lp.blogspot.com/2009/11/jack-agueros.html

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa



No Dia do Poeta, uma homenagem àquele que debruçou-se sobre a época das grandes navegações a imortalizou a alma lusitana.

MAR PORTUGUÊS, do único livro em língua portuguesa publicado em vida por FERNANDO PESSOA, ilustre aniversariante de hoje:


"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Imagem do blog http://liceu-aristotelico.blogspot.com.

sábado, 21 de maio de 2011

POESIA MARGINAL - CHACAL




A idade faz mal aos olhos. Em compensação encorpa a voz. Nossas paranóias da juventude se transformam em tiques nervosos. O tempo é fundamental para você adensar sua obra, capinar seu caminho de pregos e espinhos. depois de um tempo, é só juntar tudo, colocar num saco, jogar fora e virar vilão de teatro infantil. Mmmoooouuuuhhhhh!!!!!
Chacal




O carioca Ricardo Carvalho Duarte, ou simplesmente Chacal, completa 60 anos em 2011. Já se pode dizer “um senhor idoso”, mas com a mesma cabeça fervilhante do menino dos vinte anos que lançou, em 1972, o seu primeiro livro de poemas Muito Prazer, Ricardo, produzido em mimeógrafo (lembram disso?) e distribuído de mão em mão, características marcantes da poesia marginal surgida nos anos 70.

Para conhecer o poeta e seus pensamentos, sugiro a leitura do artigo Memórias de Chacal: longa jornada poesia adentro, publicado pelo jornalista Luciano Trigo para o site G1.Globo, em que entrevista Chacal pela ocasião do lançamento de seu novo livro, Uma história à margem.

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“UM POETA NÃO SE FAZ COM VERSOS”

o poeta se faz do sabor
de se saber poeta
de não ter direito a outro ofício
de se achar de real utilidade pública
no cumprimento da sua missão sobre a terra
escrevendo tocando criando
o que pesa é não se achar louco
patético quixote inútil
como quem fala sozinho
como quem luta sozinho
o que pesa é ter que criar
não a palavra
mas a estrutura onde ela ressoe
não o versinho lindo
mas o jeitinho dele ser lido por você
não panfleto
mas o jeito de distribuir
quanto a você meu camarada
que à noite verseja pra de dia
cumprir seu dever como água parada
fica aqui uma sugestão:
- se engavete com os seus sonetos
porque muito sangue vai rolar e não
fica bem você manchar tão imaculadas páginas.


O BEIJO

todo mundo precisa de beijo
o ascensorista a vitrinista
o judoca o playboy
o zagueiro o bombeiro o hidrante
o hidrante precisa também
de cuidados água farta
analgésicos e dinheiro
todo mundo precisa de dinheiro
o maracanã o pavilhão de são cristóvão
o cristo a pedra da gávea o dois irmãos
quem não precisa de dinheiro?
todo mundo precisa de beijo


DESABUTINO

quem quer saber de um poeta na idade do rock
um cara que se cobre de pena e letras lentas
que passa sábado a noite embriagado
chorando que nem criança a solidão
quem quer saber de namoro na idade do pó
um romance romântico de cuba
cheio de dúvidas e desvarios
tal a balada de neil sedaka
quem quer saber de mim na cidade do arrepio
um poeta sem eira na beira de um calipso neurótico
um orfeu fudido sem ficha nem ninguém para ligar
num dos 527 orelhões dessa cidade vazia


quinta-feira, 7 de abril de 2011

A cobertura do Vinícius

Hoje, cedinho, cedinho, ao olhar para o meu quintal do vigésimo primeiro andar, pensei na cobertura da Gávea do poeta Vinícius de Moraes...

Cobertura na Gávea - Vinícius de Moraes

Todo mundo, como eu, devia ter uma cobertura. Pois ter uma cobertura significa ser Capitão de Imóvel, ter uma ponte de comando de onde observar a vida, e às vezes a morte, nos imóveis de menor calado, sempre de olhos baixos ante vosso orgulhoso gabarito. Significa poder espraiar a vista sobre o grande mar urbano, a conter em casas e apartamentos o amor que se debruça para fora das janelas, em busca de comunicação. Ter uma cobertura significa dominar; não dominar como o fazem os ditadores e os tiranos: dominar com os olhos - e também em tristeza e solidão. Significa ver sem ser visto, desvendando a rápida nudez de moças em flor a caminhar em seus aposentos: e amá-las quase sem desejo.

Em verdade, coisa bela é ser dono de uma cobertura, e poder ficar em intimidade maior com a noite, mais próximo do céu, em colóquio com as estrelas, nessa vaga embriaguez que provoca a mirada do infinito. É poder sentir a palpitação noturna da vida nas luzes acesas dentro das casas, a insinuar uma precisão de paz em meio ao grande conflito humano. Ter uma cobertura representa ser montanhês na planície dos homens e das coisas; respirar o ar menos poluído do complexo urbano; poder falar, ouvir música e amar em alto e bom som, sem a preocupação de incomodar o próximo.

Sim, todo mundo, como eu, devia ter uma cobertura na Gávea com um belo terraço, de onde se descortina, ao norte o Pão de Açúcar; ao sul o Hipódromo; a leste a réstia luminosa de Ipanema e a oeste o Corcovado - o Cristo de costas, discreto, inatento. Ter, sobretudo, uma cobertura sem grandes luxos, simples, sincera, pintada de branco e de teto baixo na qual-se possa ir e vir com um ar de comandante satisfeito com o seu barco.

Hoje posso olhar à minha volta para esses amplos espaços que me cercam, para a reserva florestal que enche de verde o meu escritório e o meu quarto, e dizer-me com orgulho : sou um homem rico !

Na realidade, de que mais preciso?

Proprietário de poemas e canções, senhor de uma mulher e uma paisagem, dono de minha vida e minha morte - não serei eu por acaso o homem mais rico desta terra?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

MOACYR SCLIAR - Último texto

Lágrimas e testosterona


Moacyr Scliar

Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo. Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada — e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens. O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.

(Publicado no caderno Ciência, 7 de Janeiro de 2011)


Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez porém, que queria repreendê-la por urna dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria?Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.
Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.
Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi urna verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíram a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho.
Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.
Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.
Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele. de repente caiu no choro,um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?
É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.



Moacyr Scliar, que morreu no último dia 27/02/2011, à 1h. aos 73 anos, escrevia na coluna "Cotidiano" do jornal “Folha de São Paulo”, às segundas-feiras um texto de ficção baseado em notícias publicadas no jornaL. Esta é a última coluna do médico e escritor publicada naquele espaço.

Texto extraído de http://www.releituras.com/mscliar_menu.asp

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ALONSO ROCHA - O PRÍNCIPE DOS POETAS

Tive poucas oportunidades de estar ao lado do Poeta Alonso Rocha. Poucas mais boas. Na última, há pouco mais de um mês, num sarau patrocinado pelo amigo, sobrinho do Poeta, Luis Paulo, que se despedia de Belém para morar e trabalhar e Manaus, pude sentir a força do Poeta e seu amor pela poesia. Do alto de seus 84 anos, Alonso pareceu-me naquela noite um farol a guiar-nos, navegantes de palavras errantes, em direção aos mares explêndidos da verdadeira poesia, dos versos convincentes e cativantes.
Ao mestre, que hoje parte, deixo aqui o meu lamento, porque é o momento de lamentar e porque "a vida é breve dança sobre arame".



Breve tempo

Se me queres amar ama-me nesta hora
enquanto fruto dando-te a semente.
Se te apraz me louvar louva-me agora
quando do teu louvor vivo carente.

Aprende a te doar antes que a aurora
mude nas cores cinza do poente.
Se precisas chorar debruça e chora
hoje que o meu regaço é doce e quente.

A vida é breve dança sobre arame.
Sorve teu cálice antes que derrame
ninho vazio que o vento derrubou.

Porque quando eu cair num dia incerto
parado o coração o olhar deserto
nem mesmo eu saberei que já não sou.

Autor: Alonso Rocha

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

MATOS DO MUNDO e a EPÍSTOLA UNIVERSAL DO NEGRO CRISTO

O militante sonhador, ativista incansável pela causa da moradia popular, Poeta negro, autor do livro Negro encontro e, ainda, confrade honorário, Alcir Matos, ou Matos do Mundo, nos convida para o lançamento do livro de poemas O SEGREDO DA CRISÁLIDA, coletânea com vários autores e organizado por Andréa Catropa para a Editora Andross, de São Paulo.
O evento de lançamento do livro vai contar com coquetel para os convidados, entrevista com a organizadora e apresentação de performace da atriz CRISTIANA GIMENES, que selecionou 15 poemas, entre os quais o poema do Matos EPÍSTOLA UNIVERSAL DO NEGRO CRISTO, para ser lido durante o evento.
Como o lançamento do livro vai ser em São Paulo e compromissos inadiáveis (ou infinanciáveis) me impedem de viajar neste momento, deixo aqui minhas congratulaçãoes ao amigo Matos por mais esta contribuição a nossa literatura.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

RAIMUNDO CORRÊA - O poeta das pombas

Raimundo Correia (R. da Mota de Azevedo C.), magistrado, professor, diplomata e poeta, nasceu em 13 de maio de 1859, a bordo do navio brasileiro São Luís, ancorado na baía de Mogúncia, MA, e faleceu em Paris, França, em 13 de setembro de 1911. É o fundador da Cadeira n. 5 da Academia Brasileira de Letras.
Raimundo Correia ocupa um dos mais altos postos na poesia brasileira. Seu livro de estréia, Primeiros sonhos (1879) insere-se ainda no Romantismo. Já em Sinfonias (1883) nota-se o feitio novo que seria definitivo em sua obra o Parnasianismo. Segundo os cânones dessa escola, que estabelecem uma estética de rigor formal, ele foi um dos mais perfeitos poetas da língua portuguesa, formando com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a famosa trindade parnasiana. Além de poesia, deixou obras de crítica, ensaio e crônicas.


Obras de poesia: Primeiros sonhos (1879); Sinfonias (1883); Versos e versões (1887); Aleluias (1891); Poesias (1898, 1906, 1910, 1916); Poesias completas, 2 vols., org. de Múcio Leão (1948); Poesia completa e prosa, org. de Valdir Ribeiro do Val (1961).

O misantropo


A boca, às vezes, o louvor escapa
E o pranto aos olhos; mas louvor e pranto
Mentem: tapa o louvor a inveja, enquanto
O pranto a vesga hipocrisia tapa.

Do louvor, com que espanto, sob a capa
Vejo tanta dobrez, ludíbrio tanto!
E o pranto em olhos vejo, com que espanto,
Que escarnecem dos mais, rindo à socapa!

Porque, desde que esse ódio atroz me veio,
Só traições vejo em cada olhar venusto?
Perfídias só em cada humano seio?

Acaso as almas poderei sem custo
Ver, perspícuo e melhor, só quando odeio?
E é preciso odiar para ser justo?!


Desdéns


Realçam no marfim da ventarola
As tuas unhas de coral felinas
Garras com que, a sorrir, tu me assassinas,
Bela e feroz... O sândalo se evolua;

O ar cheiroso em redor se desenrola;
Pulsam os seios, arfam as narinas...
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas
Numa indolência mórbida, espanhola...

Como eu sou infeliz! Como é sangrenta
Essa mão impiedosa que me arranca
A vida aos poucos, nesta morte lenta!

Essa mão de fidalga, fina e branca;
Essa mão, que me atrai e me afugenta,
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!


As pombas


Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüinea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Tempo


E para encerrar 2010, um trecho da poética Oração ao Tempo do imortal Caeteano:

...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo Tempo Tempo Tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo
Quando o tempo for propício
Tempo Tempo Tempo Tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo Tempo Tempo Tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo Tempo Tempo Tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Apenas contigo e migo
Tempo Tempo Tempo Tempo
...
(caricatura do Caetano: http://www.araraquara.com/imagens/caricaturas/2010/05/08/caetano-veloso-cantor-e-compositor.html)