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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PRÊMIO JABUTI - BENEDITO NUNES

O professor e filósofo paraense Benedito Nunes, vencedor do Prêmio Jabuti, edição de 2010, na categoria Teoria/Crítica Literária, com o livro A clave do poético, está também concorrendo ao Prêmio Jabuti 2010 no Sistema de VOTO POPULAR, onde concorrem os três primeiros colocados nas diversas categorias do Prêmio.


A votação é feita pela internet no site:


http://cbl.org.br/jabuti/telas/voto-popular/Default.aspx


Escolhe-se, primeiramente, o livro de ficção e, em seguida, o de não-ficção, relação na qual está o livro de Benedito Nunes.


A CLAVE DO POÉTICO


A obra de Benedito Nunes é marcada pela interpenetração entre os domínios da literatura e da filosofia. Atento investigador do fazer poético, o crítico, filósofo e professor paraense reúne aqui alguns dos pontos altos de sua vasta produção, que abarca desde a filosofia de Nietzsche, Spinoza e Wittgenstein até os mais recentes desenvolvimentos da literatura brasileira contemporânea.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Poeta Apolo da Caratateua lança novo livro

Nesta sexta-feira, 1º de outubro, Apolo Monteiro Barros lançará na FCV/Casa da Linguagem os livros: “CABANAGEM: a Tomada do poder” e “JÚLIO CÉSAR: o paraense voador”.

No livro “CABANAGEM: A tomada do poder”. Apolo utiliza-se da Literatura de Cordel para falar da grande rebelião popular que eclodiu na província do Pará em 1835, e que contou com a participação da população pobre que vivia em cabanas à beira dos rios. Já em “JÚLIO CÉZAR: O paraense voador”, ele presta homenagem a Júlio Cézar, nobre filho de Acará, nascido em 13 de junho de 1843, que levantou balões pequenos, com até dez metros, presos a cordas e demonstrou a eficácia do seu invento através de manobras contra o vento. Júlio Cézar também foi poeta, e por muitos foi considerado Príncipe dos poetas.

Apolo Monteiro Barros, ou Apolo da Caratateua, nasceu na cidade de Recife em Pernambuco. Gráfico de profissão especializou-se em serigrafia, função que exerce até hoje. Chegou a Belém em dezembro de 1989. Iniciou-se na poesia no ano de 2004, através da participação em uma oficina de Literatura de Cordel realizada pelo Instituto de Artes do Pará. O gosto pelo cordel ganhou o seu coração e fez surgir um novo poeta. Apolo também é carnavalesco e atual presidente da “Escola de Samba Associação Beneficente Recreativa Cultural e Carnavalesca Parafuseta da Caratateua”. É ainda, membro fundador do Movimento Literário Extremo Norte. Ele já escreveu e lançou diversos livros, entre os quais estão: Ilha de Caratateua; Reforma Agrária Urgente; Círio de Nazaré (2004); Papa João Paulo II ( 2005); Irmã Dorothy (2006); Padre Gabriel Malagrida: O construtor dos Seminários de Belém (2008) e Guapuiando Sonhos na Ilha de Itaituba (2009).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O BELO MICROSCÓPICO

O concurso Nikon Small World premia as mais belas fotografias tiradas por microscópios.


Foto de Stephen Nagy, de Montana, nos EUA, mostra uma alga marinha já extinta.

Foto de Jerzy Gubernator, da Universidade de Wroclaw, na Polônia, mostra uma bolha de ar
em uma amostra de gel.

Foto de Álvaro Migotto, do Centro de Biologia Marinho de São Paulo, um
dos dois brasileiros finalistas este ano, mostra um embrião de estrela do mar.

Foto de Devin Lee O'Connor, da Universidade de Berkeley, nos Estados
Unidos, mostra o desenvolvimento de vasos em uma folha de milho.

Foto de Michael J. Stringer, mostra várias algas sobrepostas.

Foto de Sébastian Ricoult, da Universidade McGill em Montreal,
no Canadá, mostra uma célula de mioblasto cultivada.

Foto de Mayumi Wakazaki e Kiminori Toyooka, do Centro de Ciências de Plantas RIKEN, no Japão,
mostram o estame (orgão sexual masculino) de uma begônia vermelha.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CRÔNICA DE RUBEM BRAGA


O MISTÉRIO DA POESIA

Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço o poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno em el Sur. Cortar los árboles hacer canoas de los troncos.

E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.

O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram. Lembro-me delas às vezes, numa viagem, quando estou aborrecido, tenho notado que as murmurro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de que.

Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.

De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar em el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua.
Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era Bueno,Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.

Isso me lembra um dos maiores versos de Camões , todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua:
"A grande dor das coisas que passaram".

Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a idéia da canoa é também motivo de emoção.

Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom não essa "necessidade aborrecida" de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.

Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem à muito equívoco e muita bobagem . Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

E para falar em saudade...

Falar em saudade, para Eurídice, aquipoetisa e monalisa da Confraria, é poetisar sobre mudanças, boas mudanças em um céu de brigadeiro...

Céu de brigadeiro

Passei a noite
tecendo asas e
decolei ao amanhecer.
Buscava uma visão
de condor e um roteiro.
Voei em espirais e
eufórico, suei nuvens.
Insisti no azul, me apoderei
da linha do horizonte e tracei
rotas por sobre os humanos.
Segui trilhos no ar como
quem nasceu para voar.Vi com olhos de águia e
elegi alvos sobre-humanos.
Arremeti medos e incertezas e
senhor de um céu de brigadeiro,
esperançoso, me descobri
pássaro novo.

Voa Eurídice, ave nova, redescoberta, quem nem a Heliane...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tirando o chapéu para Edney Silvestre


“Se Eu Fechar os Olhos Agora”, de Edney Silvestre, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2010 na categoria estreante, é um romance finamente urdido, que transita entre vários gêneros (policial, formação, social, histórico), constituindo-se um excepcional painel da vida brasileira no comecinho da segunda metade do século passado.


Passa-se numa cidade do interior do Rio de Janeiro, zona cafeeira de antigo esplendor, onde o corpo mutilado de uma bela mulher é encontrado à beira de um lago por dois garotos de 12 anos, na data em que o astronauta russo Iúri Gagárin subiu ao espaço pela primeira vez a bordo de uma nave espacial, em 12 de abril de 1961.

A partir daí, com grande domínio do texto, inclusive lançando mão de todo um arsenal de recursos conhecidos apenas dos que têm pleno conhecimento do código literário, Edney Silvestre vai desenrolando sua trama em que, paralelamente ao interesse nunca arrefecido pelo desvendamento do pavoroso crime que envolve altas figuras da sociedade local, são expostas algumas chagas da sociedade brasileira, como o classismo, o racismo e o machismo, ainda hoje não plenamente saradas.

Se alguns apontam que, em certos momentos, os diálogos entre os dois guris soam excessivamente maduros, vale lembrar que a narrativa sai da boca de um deles já na maturidade, quando os fatos vividos e a sua memória se enredam de tal maneira que dificilmente se distingue o que aconteceu da sua reconstituição pelas lembranças. Questão que é inteligentemente colocada pelo narrador no trecho a seguir, a propósito de uma canção (“Noche de Ronda”) ouvida na época e recordada nevoentamente depois por um dos protagonistas:

“Eu nem sabia como era a vida dela naquela noite. Imaginei a canção mais tarde. Ouvi a canção mais tarde. A música em espanhol, a voz na noite, tudo foi acrescido e... Não. Não. Não. Tenho certeza: ouvi naquela noite. Uma voz de homem. Acho que era. Faz sentido: voz masculina. ‘Ella se fue’, ele canta. Quem lamentava o abandono era ele. Uma voz masculina. Acho. Tenho certeza. Acho. Voz masculina, grave. Na mesma noite do dia em que encontramos o corpo dela”.

Jornalista do primeiro time, entrevistador sensível de escritores na televisão, plenamente familiarizado com o universo literário, Edney estreia na ficção com o pé direito.

Texto integralmente extraído de http://www3.interblogs.com.br/homerofonseca/

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sarau em Fortaleza






Na terra do Patativa do Assaré, em uma agradável noite julinha na casa da amiga Heliane, os poetas Eurídice, Cabeto e Bosco foram recebidos para um sarau. Nas fotos, um pouco do encontro, relembrando o que Patativa do Assaré disse:



"Poetas niversitário,

Poetas de Cademia,

De rico vocabularo

Cheio de mitologia;

Se a gente canta o que pensa,

Eu quero pedir licença,

Pois mesmo sem português

Neste livrinho apresento

O prazê e o sofrimento

De um poeta camponês".



E assim foi nossa noite, declamando e cantando o que nosso coração sentia.

sábado, 3 de julho de 2010

Eurídice, arquipoeta, Monalisa da Confraria




Estranharam o título?

Deixemos primeiro Eurídice falar depois de ter lido o "Tratado acerca das flores":

"Bosco, grande arquipoeta. Gostei muitíssimo do livro, me encantei com os versos quentes de Adina, o pensamento escancarando palavras de Abadessa, Barriga parindo uma poesia que grita, os seus versos de amor "que canta dentro" da gente, os versos de Ney, todos eles uns fenômenos, adorei! e Walcyr íntimo das estrelas. O livro tem uma diversidade de sentimentos muito grande, como bem disse o prefaciador. Está lindo e inspirador."

E por falar em inspriração, vejam o que ela escreveu depois da leitura:

"Águas passadas

Se eras mergulhador e me fizeste mar,
por que te mantiveste apenas na superfície?
E eu que pensei que sofria,
na verdade morria.
No fundo, no fundo,
estava no poço
."

Esta é a alma de Eurídice Macedo, Arquiteta e Poeta, ou arquipoeta, talentosa soteropolitana que se encantou com os versos do festejado livro de 10 Anos da Confraria da Cova dos Poetas. Talento reconhecido internacionalmente pela Brazilian Endowment for the Arts (BEA), centro cultural localizado no coração de Manhatan, Nova Iorque, com o objetivo de promover e cultivar o uso da língua, cultura, artes e letras brasileira nos Estados Unidos - ela ganhou menção honrosa no Concurso Literário Feminino de Poesia e Prosa com a belíssima poesia "Monalisa de Reservado".

Ficou a promessa de Eurídice encarnar sua Monalisa em um sarau da Confraria. Convite feito e aceito, na hora!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Carta de despedida ao Claudionor

Hoje eu preparei uma vodka . A tua partida me deu sede, uma necessidade de embriaguez, de esquecer a tristeza, de ser consolado antes de consolar.
Sabia que tua partida era inevitável, mas invejei a fé de tua companheira e a força que eu não teria, mas queria ter, mas não tenho, e tive a ilusão que tu poderias ficar mais um pouquinho, e a gente poderia ser um pouquinho mais amigo, porque de repente me deu uma vontade enorme de te conhecer mais esse pouquinho, porque o pouquinho que eu te conheci me deu a impressão que poderíamos ser amigos um pouco mais e esse pouco mais me faria ser mais do que hoje eu sou.
Não tinhas a idade para ser meu pai, só a idade de um irmão mais velho, mas a sensação de perda que senti hoje foi a mesma quando, aos 19 anos, perdi meu pai, aquela sensação de que estava próximo o tempo de nos tornarmos realmente amigos, de nos conhecermos, e esse tempo se perdeu de um momento para outro.
Mas fomos amigos um pouquinho, porque tu sabias ser amigo, compreensível, de fala mansa, de sorriso fácil, de um silêncio educador. Conversamos, bebemos, rimos e até saímos juntos uma vez, vez suficiente para eu saber o quanto eu tinha a aprender contigo.
Não era o momento. Era? Não era? Inexorável destino. Destino inexorável.
Diz a ciência que daqui a cinquenta anos ninguém mais vai precisar morrer.
Teu pai, este sim, com idade pra ser meu pai, meu velho amigo Manoel, te relembrando ainda menino, pequeno companheiro do Antônio, do Antônio da morte prematura, recordando do Bandola e da querida Margarida, se pergunta; o velho Manoel se contorce, numa dor de desconsolo, e se pergunta: Por que o meu filho? Por que não vou eu?
- Porque as coisas não são assim, responde o Bira, e se assim simples fossem, não é Bira?, que graça a vida teria, de quantos manoeis ficaríamos órfãos? Já não bastam as partidas inesperadas dos claudionores?
Eu estava indo tratar da minha saúde quando fui informado da tua partida e, ao mesmo tempo, convocado pro time que faria o meio campo junto com teu pai.
Sabe, Claudionor, se fosse imaginável qualquer compensação que pudesse superar a notícia da morte de um amigo, bem poderia esta ser o chamado dos irmãos desse amigo para ajudar a consolar o pai, inconsolável, com toda a razão.
Eu, de natureza covarde, que foge a qualquer desafio de enfrentamento mais profundo, que preferira até então renegar a amizade a ter que encarar os impropérios que um dia ou outro inexoravelmente estas amizades nos impõem, fui, no minuto final da partida, convocado a participar e, paradoxalmente, tal qual a inexplicável e indescritível fé da Lourdes, dos teus filhos e de tuas irmãs, silenciei o rádio do carro e segui feliz, feliz por mim, por teus irmãos, por teu pai e por ti.
Obrigado por tudo meu prezado amigo!